Ao admitir que cumpre-nos apenas viver conforme a sociedade
já bem o definiu, cada qual desempenhando seus papéis sociais como
o de marido, esposa, pai, mãe, trabalhador etc, permanecemos
presos impedindo o maior desenvolvimento. Não percebemos que
cada papel carrega em si o próprio limite de atuação. Este limite é o
referencial a que recorremos para definir as regras de cada atuação
social necessária ao melhor convívio.
Se por um lado ganhamos, ao identificar, aprender e ensinar à
descendência como se deve viver para que não se sujeite à sorte, em
contrapartida perdemos o espaço à criação de performances
alternativas e desta forma reduzimos as chances de desenvolver a
autonomia crítica, visto pouco questionarmos se os papéis que
desempenhamos socialmente são a única maneira de viver e
interagir.
Cada papel diz respeito a uma máscara usada para encenar o
teatro da vida. Temos que ser de um jeito para com nosso chefe,
liderados, colegas de trabalho, filhos, vizinhos, padeiro, pastor etc. É
claro que temos personalidade. Todavia, ela nos leva a vestir tais
máscaras para que haja adaptação cotidiana. Não obstante, cada
máscara possui uma limitação de se agir, moldando-nos a uma forma
de ser.
Ocorrem conflitos por causa do desacordo entre tipo de
temperamento introvertido ou extrovertido, experiências acumuladas,
conceitos formados, e padrões de comportamento "sugeridos" pela
sociedade. Nas relações conjugais, por exemplo, o psicólogo Carl
Rogers (1902-1987) concluiu que "Numerosos problemas
desenvolvem-se na medida em que tentamos satisfazer as expectativas do outro...", e que não devemos nos afeiçoar pelos
desejos, regras e papéis que os outros insistem em impor-nos.
Sabemos que limites são importantes para o adequado
convívio. Não se defende aqui a abolição de leis e regras, já bem
explicadas por pensadores de outros séculos, como Thomas Hobbes
(1588-1679), por sua afirmação de que "O homem é o lobo do
homem", e Voltaire (1694-1778), ao comparar: "Para que uma
sociedade consiga sobreviver, fazem-se necessárias as leis, assim
como as regras para os jogos". A ordem política tem o seu papel na
regulação do convívio entre os homens.
No entanto, nos revestimos destes papéis ao usar as máscaras
sociais e agimos apenas em conformidade a eles. Tal fato oculta
poder, vez que imputamos limitação a nós mesmos seguindo
rigorosamente as diretrizes que cada papel determina. Não nos
inquietamos a ponto de refletir sobre se devemos pensar e agir
diferentemente do que estamos acostumados. Não ousamos
participar mais dos acontecimentos sociais.
Um exemplo é a idéia de que política deve ser realizada apenas
por políticos. Enganamo-nos. Podemos e devemos ser mais presentes
em assuntos desta natureza. Já se provou que a opinião popular é
importante e tem peso, não só nas eleições, mas na luta pelos
direitos democráticos, em processo de impeachment presidencial,
referendo, etc. Basta usar a máscara para este tipo de necessidade e
exercitar o seu papel.
Não nos damos conta de que respeitamos em exagero os
limites dos papéis sociais e por tal razão criamos uma mentalidade
enrijecida. Agimos desta forma despercebidamente desde bem
pequenos. Cremos que outros papéis como o de pessoas de talento,
bem sucedidas, com carreira em dada profissão etc, servem apenas para quem já os exerce. Entretanto, muitos são os papéis a serem
utilizados até se chegar onde o sonho alcança.
Outra questão crucial é o medo e a obediência incondicional a
que nos sujeitamos mediante personagens que usam máscaras de
posição social ou hierarquia acima da nossa. Simplesmente
obedecemos ou nos queixamos às escondidas sem propor idéias e
pontos de vista contrários, que podem, conforme a ocasião e a
necessidade, serem surpreendemente melhores.
Atrás de toda máscara, há um ser humano tentando sobreviver
em seu meio, buscando a adaptação à sociedade ou grupo ao qual
pertence. Portanto, os papéis são importantes. Segue-se, porém, que
é relevante a capacidade potencial que todos possuem para
desenvolver a criatividade, autonomia e ações pessoal e comunitária.
Mas para dinamizá-la, urge reconhecer as múltiplas possibilidades a
se desempenhar por meio de novos e essenciais papéis, além dos que
já temos.
Há o poder que prende. E o que liberta. Podemos crescer em
outro papel, libertando-se da limitação. A vida é repleta de
oportunidades, mas se não acreditarmos em nossa própria
capacidade, bem pouco ou nada acontecerá. Escolha uma nova
máscara ou melhore o desempenho das que já usa. Aproprie-se do
poder que há em cada papel. Máscaras sociais que antes pareciam
impossíveis de lhe pertencer estão mais próximas do que você supõe.
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