A sociedade só é transformada a partir de idéias (e ações), via
de regra, isoladas, que ganham vulto pela aderência de simples
simpatizantes até ferrenhos seguidores. Tal fato parte da lógica de
que as pessoas pensam de forma diferente, e mais do que isso crêem
de maneira divergente umas das outras e, portanto, possuem
perspectivas variadas sobre a vida. Com efeito, os pensamentos são
desenvolvidos em uma pessoa e podem crescer na dimensão social
caso ele seja aceito pelo seguinte, por imposição em alguns casos e
por consenso em outros. Do singular é possível se estender ao plural.
Mas é preciso estar atento, visto que um único preceito, muitas
vezes, não consegue atender a tamanha diversidade, limitando a
satisfação geral.
Cabe analisar este fenômeno na esfera do trabalho, pois tal
situação é aplicável em algumas fases do desenvolvimento
profissional. Vejamos, quando a pessoa se encontra na juventude lhe
é pertinente possuir altos ideais acerca de seu papel colaborador para
com a sociedade, como dedicar tempo e elaboração de projetos aos
demais, compartilhar atenção e amor, etc. Com o passar do tempo,
no entanto, vê-se comumente isto se modificar, levando grossa parte
da população a desistir deste tipo de missão que a inspirou outrora
em detrimento da praticidade causada pelo estreito caminho de
sobrevivência existente: a objetivação. De condições particulares
baseadas em diferentes pontos de vista, o que resulta nesta mudança
é a massificação de impressões. Em outras palavras, os ideais
perdem terreno para a aceitação (passiva na maioria das vezes) da
objetividade material. É claro que as necessidades básicas como fome
e segurança carecem de atendimento prioritário e ninguém deve
brincar de faz-de-conta com a implacável realidade. Todavia, nem por isso deve-se abandonar o ideal. A transformação de oito para oitenta
impede a grata chance de convívio com os benefícios gerados neste
tipo de empreendimento.
No início da carreira profissional a pessoa carrega uma chama
viva relacionada ao seu crescimento, e nele encontra-se agregado o
propósito de colaboração altruísta. É uma revolução diante dos fatos
egoístas (tem a sua importância também pela reação que provoca)
presenciados no dia-a-dia. Contudo, o peso desencadeado pela
impressão mais comum leva à desistência da causa particular. Por
exemplo, muitos médicos que sonharam com a relevância de seu
papel na saúde e se imbuíram do juramento hipocrático (é um guia
maravilhoso se bem observado), abandonaram os ideais e em seu
lugar exaltaram outros fatores de ordem puramente objetiva.
Percebe-se, inclusive, que qualquer oposição que tente resgatar o
velho brilho idealístico é motivo de piada. Entretanto, pouco se reflete
sobre se mesmo em condições bem satisfatórias de conforto
conquistado, cuja imposição de se atender às necessidades foi mais
do que alcançada, é possível retomar antigas aspirações. Parece que
não na prática, pois a objetividade demonstra nunca findar em suas
demandas. Ao citar a classe médica quis sublinhar esta categoria por
sua extraordinária importância na sociedade, e, devemos ampliar tal
ponderação aos demais profissionais, que, se carregados de vontade
e conhecimento, podem multiplicar a cooperação através de idéias e
realizações além de sua conhecida rotina.
As questões centrais são: Por que se intimidar e se limitar por
razões sociais que apenas impressionam? O que impede
verdadeiramente de se atender a objetividade e também ao ideal?
Neste caso, creio que o gasto energético em direcionar os esforços
numa direção se assemelha ao gasto da sua contenção ao não utilizar
a energia em outro foco de igual prestígio. Embora enxerguemos o
cotidiano na sua dimensão real, não significa que o aceitemos assim.Quanto mal-estar pode machucar a nossa intimidade em relação à
discordância sobre as questões sociais e a nossa visão sobre o
assunto, baseados em antigos e renunciados ideais (ou quem sabe,
ainda vivazes)?
Não obstante, o fenômeno aqui descrito depende diretamente
de cada um e nele repousa a possibilidade de maiores e melhores
mudanças sociais. Cada pessoa já encontra ou descobrirá em si o
desejo ardente que a motive a contribuir e a se sentir mais humana e
feliz no projeto de participação individual e comunitária. Se a crença
assentada na impressão geral é a de que nada se pode fazer, então o
jogo está determinado à lentidão e aos minguados resultados. Do
contrário, se a luz da sabedoria e a chama do desejo estiverem
presentes, até a mais difícil partida poderá ser subjugada e tornar-se
exemplo para novas e cruciais transformações de intenção tanto
objetiva quanto de ideal.
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