Ignorância emocional e injustiça

Não é novidade tratar sobre a justiça. Ela foi tema de consideráveis discussões filosóficas através de Hesíodo, Sócrates, Platão e Aristóteles, pensadores precedentes à era cristã, iniciada com o alto pedido de alteração do “Olho por olho, dente por dente”, do antigo e enraizado Velho Testamento, pelo “Faça ao seu semelhante aquilo que deseja para si”, de Jesus. Ou ainda, por meio das afirmações contidas no Corão, livro Sagrado dos muçulmanos: “Aquele que fizer um bem, quer seja de um peso de um átomo, vêlo- á. E aquele que fizer um mal, quer seja do peso de um átomo, vêlo- á”. Posteriormente, outros pensadores também se lançaram à reflexão do assunto. Ou seja, sempre se considerou, com relevância, a ponderação acerca da conduta humana na convivência social, associando-se a tal empreendimento, a elaboração e aplicação das leis reguladoras. No entanto, por que tal informação soa irrelevante se nos deparamos frequentemente com a injustiça? De que adianta assoprar a pequena brasa em meio ao monte de cinzas? Corrupção, comportamentos injustos e aflição atestam inequivocamente o atrasado grau de desenvolvimento humano. Causas variadas são sugeridas como forma de se avaliar as razões que originam tal fenômeno: safadeza, ausência da estrutura familiar e da educação na formação de algumas pessoas, impunidade, exemplos de má conduta sobrevindos de figuras representativas da sociedade, miséria, baixa distribuição de renda etc. Não se analisa, entretanto, com o devido mérito, a ignorância emocional representada através da deformidade redundante da rala formação da empatia, cujo propósito é o de levar a pessoa a se colocar sensivelmente no lugar da outra, podendo, então, agir mediante o que sente em si próprio, valendo-se da autorreferência como medida para os seus atos. Assim, como alguém que pouco desenvolveu em si a empatia pode considerar o sofrimento alheio? De que maneira é possível oferecer aquilo que não se encontra disponível à altura da necessidade? Por outro lado, não se trata aqui, de evitar a aplicação da justiça. Decerto que não. Que a mesma seja cumprida. A reflexão, porém, diz respeito à causa que antecede o efeito, pois a qualidade do diagnóstico leva à prescrição mais adequada do tratamento. Considerem-se as doenças psicológicas cuja frieza afetiva é o sintoma central nos relacionamentos, as agressões sofridas desde a infância e outros aspectos causais já mencionados, para então avaliar alguns comportamentos injustos. Mais: não se dê por satisfeito em relação à análise. Vá mais longe, tente se colocar nas condições a que é submetido um punhado de gente. Use a sua empatia e a capacidade de julgar além das aparências. (Ou lute para alcançar tal condição.) Isto é, revele-se verdadeiramente empático e justo ao apreciar cada caso que se lhe apresentar, e não fique refém da superficialidade e do preconceito. Desperte, exercite e aperfeiçoe os atributos psíquicos disponíveis a favor do bem comum. Seja justo!

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