Instrumentos de Preparação para a Comunicação

Toda atividade a ser desenvolvida por uma pessoa, necessita previamente de uma preparação, seja conscientemente planejada ou involuntária. Não podemos simplesmente, entrar em um veículo e sair dirigindo sem antes o conhecimento sobre como “dirigir”. Da mesma forma, falar bem requer uma preparação. Podemos identificar três aspectos essenciais a essa preparação: autoconfiança, conhecimento e atitudes especiais. 1. Autoconfiança Desenvolver a autoconfiança é você acreditar que é capaz, aprendendo a pensar positivamente, afastando as imagens negativas do tipo: “não vou conseguir”, “não sou capaz”, “as pessoas vão rir de mim”. Ou, pior que isso: ficar preso em possibilidades remotas de erros que poderão não acontecer. O fato de acreditar que é capaz ajuda o orador a eliminar as barreiras da comunicação. Expor-se publicamente para falar é uma das situações que mais gera tensão e ansiedade na maioria das pessoas. Platéia, microfone ou holofote causam uma liberação de adrenalina gerando medo, tensão, nervosismo, timidez, mãos geladas, suor frio, vontade de correr. Se você se encaixa neste perfil, fique tranqüilo, você não é único. Para melhorar a auto-estima, não basta simplesmente compreender os processos internos e externos que bloqueiam a autoconfiança, é preciso iniciativa para superar a timidez e as inibições. Pontos e sugestões para tornar o processo de comunicação eficiente: •Ter convicção de que as mudanças são possíveis e necessárias; •Concentrar-se apenas nos pensamentos positivos; •Aceitar novos desafios; •Saber que a coragem nada mais é que o medo bem dosado; •Amenizar o medo, sendo que a melhor forma de fazêlo é entender suas origens, compreender as suas causas e enfrentá-las; •Permitir-se errar, considerar os erros como parte do aprendizado; •Aprender a ouvir; •Descobrir e ampliar suas qualidades; •Desenvolver suas habilidades verbais e não-verbais. 2. Conhecimento O segundo passo para quem deseja comunicar-se melhor é abastecer-se de informações. Não de maneira exagerada, pois o excesso também pode ser prejudicial, principalmente se não for devidamente ordenado.Logo, quando for abordado para falar sobre algo, elabore algumas perguntas ao solicitante como, por exemplo: o que será abordado; qual o objetivo do assunto ou da entrevista, se for o caso; quem será o público-alvo; de quanto tempo você dispõe, etc. Estas perguntas vão auxiliar na organização das idéias antes da explanação. Para discorrer sobre um determinado assunto, é importante pesquisar e conhecer sobre o que se deseja falar. A autoconfiança se desenvolve com mais facilidade para quem detém o conhecimento sobre o assunto. Como dizia Catão, “domine o assunto e as palavras brotarão por si mesmas”. Se você é um executivo, advogado, empresário, profissional liberal, estudante ou político procure ler sobre sua área de atuação, seus negócios, as tendências de mercado, os aspectos econômicos e sociais, para não ser pego de surpresa pelas equipes de comunicação. Isto quer dizer atualização constante, como conversa com outros profissionais; visita a empresas concorrentes; participação em cursos, seminários, etc; leitura de revistas, livros, jornais e troca de informações com outras pessoas da mesma área de interesse. A leitura dos diversos tipos de matérias servirá não somente para atualizar o banco de dados mental, mas também para familiarizar o leitor com os diversos tipos de palavras e frases. Contudo, para falar bem não basta apenas conhecer o assunto em questão. É preciso uma verificação do uso correto da linguagem, utilizando de forma eficiente os recursos da gramática. A leitura em voz alta, por exemplo, além de servir para outros fins que iremos abordar posteriormente, é um excelente exercício para correções na pronúncia das palavras. Em alguns casos há a necessidade de se recorrer ao estudo das regras gramaticais, não necessariamente ter que voltar às origens do banco escolar, mas conhecer o suficiente para evitar erros constantes durante conversas ou mesmo apresentações. Quando cito conhecimento, me refiro também ao autoconhecimento, que envolve uma avaliação prévia dos pontos fortes e fracos. O autoconhecimento vai ajudá-lo em primeira mão a traçar e a definir o que quer e aonde quer chegar. Fique atento a determinadas expressões e palavras mencionadas por outras pessoas com boa formação cultural. O importante não é somente conhecer novas palavras, mas utilizá-las no dia-a-dia como parte do vocabulário. Ao ouvir ou ler uma palavra nova, anote-a, veja o significado em dicionários, monte algumas frases que a inclua e quando diante de uma oportunidade use-a, seja escrevendo ou falando. Com o treino você se acostumará com o novo termo. Faça leitura em voz alta, assim você ouve a pronúncia das palavras e melhora sua dicção. Não basta somente ter consciência dos pontos fortes, é preciso também saber quais suas fraquezas, aquilo em que precisa melhorar. Algumas pessoas deixam transparecer suas fraquezas através de comportamentos, ações e palavras que simplesmente escapam e as colocam em situações embaraçosas e constrangedoras. Outras ficam prisioneiras de suas próprias imperfeições, criando um campo de defesa que as impede de alcançar o sucesso pela simples perda de oportunidades. O problema é que o casulo criado não resiste por muito tempo e, em determinados momentos, fendas começam a surgir, deixando transparecer os medos e temores. Para que isso não ocorra, identifique seus pontos fracos, veja quais aspectos deve melhorar, conheça seus limites, defina e estabeleça os pontos a serem eliminados em grau de prioridade.1 3. Atitudes São as ações que um indivíduo deve fazer em busca dos conhecimentos e aprimoramento de suas habilidades para o processo de comunicação. A palavra habilidade é definida como: “destreza, conhecimento técnico que um indivíduo possui ou desenvolve em alguma atividade”. Assim como em algumas atividades laborais, a comunicação também requer algumas atitudes e as habilidades inerentes a elas. Sem dúvida que o falar bem impressiona, mas exige preparo, desenvolvimento e aperfeiçoamento de atitudes pessoais como, por exemplo, o controle do nervosismo, dos movimentos do corpo, das expressões faciais, da postura, do tom de voz, da variação de altura e intensidade vocal, da manipulação de objetos, dentre outros. Dentre as atitudes recomendadas, podemos destacar o ato de escrever o que vai se falar e o treinamento. Escrever o que vai falar: Este exercício é para quem tem um discurso, uma apresentação sobre negócios, trabalhos do colégio, faculdade ou uma entrevista futura. O ato de escrever o que se vai falar não deve, prioritariamente, seguir uma regra padronizada. O correto é escrever aleatoriamente o que vem à cabeça sobre o assunto, só depois fazer uma lapidação. Ordene o que escreveu de forma que as partes se integrem ao todo. O discurso deve ter inicio, meio e fim. Não esqueça que o diamante leva anos sendo lapidada pela natureza para sair do estado de carvão até se tornar uma das jóias mais desejadas do mundo. Exercício 1 Escolha um filme que você assistiu, pegue caneta e papel e faça um resumo da seguinte forma: Qual o título? Qual o tema ou assunto abordado? Em que se baseia o drama ou história? O que mais lhe chamou a atenção? Quais as cenas mais interessantes? Qual era a trilha musical? Como foi o final? Exercício 2 Ao participar de palestras, seminários ou conferencias questione-se. O que você achou do assunto, qual sua opinião sobre o que ouviu? Se tivesse que falar, o que falaria? Se estivesse no lugar do apresentador como se comportaria? Transcreva tudo para o papel seguindo o roteiro do exercício anterior. Exercício 3 Escolha um assunto que domina ou tem conhecimento e faça um roteiro como se fosse falar para um pequeno grupo de pessoas. Planeje o roteiro levando em conta o objetivo da apresentação se será informar, persuadir ou lembrar as pessoas. Qual o assunto? Quanto tempo durará a apresentação? Redija uma breve introdução, Faça o desenvolvimento com argumentos e dados convincentes, tipo lugares, datas, testemunhos, etc. Conclua com seu ponto de vista, sobre o que você acha fazendo uma reflexão sobre o assunto. Treinamento: A repetição leva a retenção. Não é à-toa que os atletas passam de oito a doze horas por dia em processo de treinamento para melhorar seu desempenho. Após a organização do texto a ser apresentado, leia uma vez em voz alta sem interrupção. Em seguida leia novamente de forma compassada, analisando cada parágrafo. O ato de ler em voz alta proporciona ao orador ouvir sua própria voz e a forma como pronuncia as palavras. Repita a leitura fazendo perguntas a si mesmo sobre os principais pontos ou passagens, por exemplo: “o que é isto”, “qual a importância”, “para que serve”, “como pode ser utilizado”. Não tente decorar. O ato de decorar faz com que a apresentação pareça robotizada e, o pior, se alguma pergunta for feita ou algo sair da seqüência, normalmente as pessoas ficam perdidas. O importante é compreender o assunto. Use o espelho como parceiro para treinar sua apresentação. No inicio pode parecer loucura, mas não se preocupe você não é o único louco nessa área. Outra opção é pedir ajuda a um membro da família ou amigo que esteja disposto a lhe ouvir. Na antiga Grécia, Péricles tornou-se imortal e todo seu poder era o dom da palavra. Outro exemplo clássico de persistência e treinamento foi o de Demóstenes que, ao ser ridicularizado em praça pública por seus adversários quanto à sua oratória, resolveu dedicar-se ao treinamento. Demóstenes era gago e tinha uma voz fraca. Através de muita dedicação e treinamento tornou-se um exímio orador e dominou essa arte no império grego por quatro décadas. Dentre os itens mencionados quanto às técnicas, está o ato de planejar e avaliar as ações no que diz respeito a comportamentos que devem ser incrementados no diaa-dia de quem pretende iniciar ou melhorar a comunicação em público. Exercício 1 - Temas objetivos Escolha títulos de reportagens de jornais, revistas ou temas de destaque em noticiários de TV. Escreva um título por vez e faça uma breve dissertação sobre o tema. Não fique pensando sobre o que vai escrever, apenas transcreva o que vier a mente. Não gaste mais que cinco minutos em cada dissertação. Ao concluir, e leia e avalie comparando com o que está escrito no jornal ou revista. Exercício 2 – Experiências pessoais Outro exercício eficiente é relatar experiências pessoais e profissionais de sua vida. Faça como se estivesse escrevendo um diário pessoal. Não se policie quanto à forma, escreva o que espontaneamente lhe ocorrer à memória de forma natural. Após este procedimento, leia e avalie novamente o que foi escrito. Após estes dois exercícios, compare o que escreveu sobre temas objetivos com os relatos de experiência pessoal. Geralmente as dissertações sobre temas objetivos apresentam uma característica mais seca, enquanto os relatos pessoais possuem característica mais expressiva. Agora tente reescrever a dissertação sobre uma matéria objetiva de forma que ganhe mais expressividade. Não se trata de transformá-la em um relato pessoal, mas de aumentar o vigor das impressões. Depois leia em voz alta as duas versões da dissertação e avalie as mudanças. Quem já não sentiu um constrangimento em reuniões, discussões, debates em sala de aula, eventos festivos por não saber responder pronta e espirituosamente a uma pergunta? Ter uma resposta na “ponta da língua” não é nenhum “DOM” ou talento inato; é uma habilidade que pode perfeitamente ser adquirida. A condição básica é possuir conhecimento e um bom vocabulário flexível e extenso. Ambos podem ser adquiridos com tempo e treinamento, coisa que não se herda da família. Exercício 3 – Desenvolvimento da criatividade Este exercício tem como objetivo ajudar no desenvolvimento da capacidade de correlacionar coisas que não tenham, aparentemente, nenhuma relação entre si. A tarefa é criar relações que façam sentido. Escolha duas palavras da mesma coluna, ou uma palavra de cada coluna e crie situações ou estórias que se correlacionem.O importante para a eficiência do exercício é que você não fique refletindo muito tempo, mas que tente improvisar rapidamente. Não se preocupe se as conexões não ficarem óbvias, o interessante é que as idéias fujam dos padrões pré-estabelecidos. Quebre os paradigmas. Este jogo pode se tornar um passatempo divertido se jogado em companhia de outros amigos. Assim, além de avaliar sua própria capacidade de criatividade, tem-se a oportunidade de observar a maneira como os outros pensam e resolvem os problemas. Exercício 4 – Desenvolvimento da fluência Ligue o televisor em um jogo de futebol ou outro evento esportivo. Desligue o volume e tente narrar o evento. Não importa se desconhece os times, jogadores ou as regras do jogo. Invente nomes e relate o que se passa no campo ou quadra sem refletir muito, sem entediar, sem exagerar. Faça de forma realística com vivacidade e entusiasmo na voz. Este exercício pode ser praticado como forma de exercitar a capacidade de desenvolver a comunicação verbal e transformar reflexões rápidas em frases fluentes. Além de ser excelente para quem é tímido. Neste caso, certifique-se de estar sozinho no ambiente para não ser atrapalhado e nem parecer louco. Se tiver coragem suficiente, convide alguém da família ou um amigo para observar seu desempenho, sua capacidade de exposição,se as formulações são coerentes ou desajeitadas e avalie o que ainda tem que aprender. Para quem não gosta de futebol ou esportes, pode ser escolhido temas voltados à economia, política, educação ou outros temas.

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