Uma das maneiras de se compreender a motivação é relacionála
a autonomia do pensamento e da reflexão crítica e
conseqüentemente da maior liberdade de ser e agir. Trata-se, afinal,
de um processo psicológico que interage com o meio social. Isto é, se
o ser humano deposita o desenvolvimento da sua motivação na figura
de outrem ou de uma dada circunstância e não a assume como uma
responsabilidade pessoal, percebe-se em tal atitude dependência e
limitação. Vale ressaltar que nos influenciamos mutuamente ao
estimular a motivação. Contudo, ela só se desenvolve por meio da
permissão íntima (consciente ou inconsciente), e, portanto, é
intransferível por seu caráter particular.
Há três aspectos maléficos que merecem atenção nessa
análise: A falta de conhecimento sobre o tema, a herança sóciohistórica
acerca da dependência e submissão e a acomodação natural
existente em nossa espécie animal. Segue-se então que o antídoto a
ser prescrito é composto de saber, libertar e agir.
Quanto mais o homem conhece a si mesmo, tanto maior é a
sua chance de evoluir e fazer melhores escolhas durante a vida.
Quanto melhor escolher, tanto menor será a sua dependência
exterior a questões que lhe são interiores como a motivação. Por
conseguinte, conquistará mais independência e interdependência ao
formar parcerias motivadoras que prezam o dar e receber com
maturidade, equilíbrio e justiça.
Todavia, para alcançar uma dimensão de maior autonomia é
essencial que se concentre uma parte dos esforços no rompimento
dos elos da corrente histórica que se mantém presente até o
momento. A monarquia que ajudou a construir a personalidade e o
perfil brasileiros (escravidão, subserviência e passividade profundos)acabou há considerável tempo, mas as suas articulações psicológicas
ainda reinam sobre incontáveis súditos contemporâneos.
O modelo de educação ancestral transmitido permite tal
manutenção, estendendo boa parte desta aprendizagem ao Século
Vinte e Um. Os pais ou pessoas próximas com as quais mantemos
contato desde a infância nos bombardeiam, sem que percebamos
(eles próprios sequer fazem idéia), de impressões e convicções que
estimulam a dependência e a contenção do uso da motivação,
elemento poderoso se bem desperto e direcionado. Eis alguns
exemplos usados comumente: – Quando arrumar um emprego não
abra a boca. Cuidado com o que você pensa. Manda quem pode,
obedece quem tem juízo. Mais vale um pássaro na mão do que dois
voando. Entre outros. Assim, vestimos máscaras sociais restringentes
não apenas em nome da necessidade de sobrevivência, mas,
sobretudo, em face da falta de liberdade autoimputada.
Entretanto, sem que se perceba, somos coniventes com tal
situação aprisionadora, haja vista ser conveniente não ter de pensar
a respeito, pois dá trabalho e nos colocaria cada vez mais frente a um
paradigma bastante revelador: Somos responsáveis pelo estado de
nossas vidas. Recebemos pelo que fazemos. Deixar por conta da
sorte pode resultar miséria. Tais idéias não são inovadoras, elas se
encontram claramente expostas na Bíblia Sagrada, em Mateus, 7:7:
“Pedi, e dar-se-vos-á, buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á”.
Sob tal perspectiva, resta-nos empreender e assumir cada
pensamento e ato, e mais, enfrentar as suas conseqüências ao invés
de se esconder na sombra de ilusórias justificativas.
É uma situação cômoda. Mas hoje é percebida uma inquietação.
Um incômodo revela-se em uma parcela da população, esboçando um
importante despertar que demanda transformação. É hora de esforço,
de mudança e maior propriedade sobre si. A motivação pode ser liberada das amarras impostas pela nossa permissão inconsciente se
dermos o passo na direção que nos permita ampliar a consciência e
desenvolver. É uma decisão singular. Você está disposto?
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