Cremos no controle das coisas e assim nos sentimos superiores.
No entanto, tal crença nasce na vaidade e apenas nos mantêm cegos
e morosos a respeito da longa jornada rumo à consciência e ao
verdadeiro autodomínio.
Quando Freud (1856-1939) expôs ao mundo o inconsciente e o
descontrole existente no homem sobre a sua própria vida, atingiu um
sem número de pessoas, abrindo-lhes feridas em razão de o seu
orgulho lhes ditar exatamente o contrário. Ter propriedade sobre si é
uma das poucas compreensões que permite ao ser humano escolher,
e por tal fato, mostrar-se diferente e elevado sobre os outros
animais.
Olhar para si e se enxergar sem tal controle pode ser um golpe
duro. Porém, há consequências favorecedoras ao
autodesenvolvimento, caso a honesta autoavaliação se torne o ponto
de partida para novas e frutíferas reflexões que levem o indivíduo à
evolução de sua atrasada e obscurecida condição, causada pela
miopia acerca de si mesmo. Nas obras freudianas lê-se que o
inconsciente é a esfera mais ampla, que inclui em si a esfera menor
do consciente. Tudo o que é consciente tem um estágio preliminar
inconsciente... . Não obstante, tal informação pode ainda se
transformar em alvo de ridicularização e ser colocada no campo do
esquecimento. Aliás, foi exatamente o que aconteceu para muita
gente que se chocou com inusitadas afirmações. E assim ainda ocorre
nos dias atuais.
Carl Jung (1875-1961) divergiu de Freud ao propor a sua ideia
sobre o “inconsciente coletivo”, cuja definição é: Todo e qualquer
conteúdo psíquico que não seja algo próprio de um só indivíduo mas
de muitos indivíduos ao mesmo tempo, isto é, de uma sociedade, de um povo – ou da própria humanidade (ideias de Deus, moral, pátria
etc). E ainda acrescentou: Você confia em seu inconsciente como se
ele fosse um pai amoroso. Mas ele é natureza, e não pode ser usado
como se fosse um ser humano digno de confiança. Ele é não-humano
e necessita da mente humana para funcionar proveitosamente para
os propósitos do homem. Somos manipulados pelo inconsciente,
nossa porção desconhecida que deseja satisfazer questões profundas
e primitivas, por vezes insensatas. Desconhecemos várias de nossas
segundas intenções, mesmo as pessoas mais espertas e
experimentadas. A propósito, quanto maior a vaidade, tanto mais
difícil se torna a compreensão e a possível e consequente busca pela
consciência.
Ao observar as sociedades modernas vê-se com clareza o nível
de inconsciência existente na maioria de sua população, incluindo
todas as classes sociais, formação educacional, credo e raça.
Portanto, é uma condição generalizada. Tal convivência social provase
suficiente e ultrapassa a amesquinhada explicação sobre as
diferenças existentes entre as pessoas, cuja tentativa é a de reduzir e
encobrir uma de suas principais deficiências: o lado inconsciente do
homem. Alguns exemplos podem ser avaliados:
Amor no convívio conjugal (aproximação inicial entre as
pessoas baseada na atração fisiológica e a sua difícil manutenção com
o passar do tempo pela natural redução de descargas hormonais,
sem, contudo, descartar a provável existência e o desenvolvimento
de uma pequena fração amorosa).
Convívio familiar (filhos indesejados e inevitavelmente aceitos
por diversas razões justificáveis por seu teor social; dificuldades de
relacionamento com os filhos e vice-versa, causando mal-estar
permanente, com intervalos de amor, afetividade e apego, originados
na convivência, amadurecimento e no autoconvencimento a respeito da moral e da religião autoimpostos; gostar mais de um filho do que
de outro e negar a si mesmo tal preferência).
Carreira profissional (“escolha” de um determinado curso ou
tipo de trabalho evitando considerar a possibilidade de ser o único
disponível ou o mais acessível em razão de incapacidade, imposição
social, indolência ou acomodação - resulta, via de regra, em
desprazer).
Conduta moral (ser de um jeito em razão de a maioria sê-lo
sem suspeitar que a massa pode tombar por escolhas profundamente
erradas).
Altruísmo (ajudar aos outros negando o egoísmo natural sobre
a ajuda que proporciona a si próprio primeiramente).
Enriquecimento (conquistar bens materiais e posição social
negando o uso da referência da pobreza comparativamente e desejar
manter tal quadro para não perder o valoroso lugar ocupado).
Bondade (amplificar o sentimento de generosidade por
pequenas ações e minimizar a percepção da maldade desejada ou
praticada aos outros; queremos ser divinos apenas omitindo o
profano).
Genialidade (achar-se especial por algumas percepções
inteligentes sem se considerar os inúmeros erros cometidos, embora
eles façam parte da aprendizagem e sejam comumente negados pelo
inadequado sentimento de vergonha e da emoção causada pelo
medo).
Inveja (falar mal, provocar ou odiar outrem de maneira
injustificada e, contudo, alegar se fazer justiça).
Guerra (justificar um determinado ataque em nome da própria
defesa, do patriotismo, do crescimento etc, sem observar o sentimento de poder e o espectro endeusador presentes, além do
prazer de destruir).
Logo, quantas vezes já nos perguntamos sobre as razões que
nos levam a sentir e agir de modo tão estranho em tantas ocasiões?
Que respostas nós obtivemos? Será que perguntamos a nós mesmos
ou ao acaso? Investigamos com a persistência necessária ou logo
abandonamos a questão?
Pretendemos fazer escolhas sobre cada pensamento e ato
pessoais, crendo profunda e seguramente que o empreendemos com
o devido controle. Entretanto, somos manipulados pelo inconsciente.
Boa parte das coisas que fazemos embasa-se em tal descontrole, e,
logo, não é possível agir com maior justiça, autonomia e acerto.
Somos ironicamente livres para errar e aprender, mas prisioneiros da
cela construída pelo inconsciente. Enquanto formos escravos de nós
mesmos pela falta de compreensão a respeito e pela necessária
apropriação gradativa da consciência a que temos direito, estaremos
acorrentados aos grilhões da incompreensão do que somos
verdadeiramente, e assim avançaremos milimetricamente em vez de
dar passos mais largos, ousados e evolutivos de maneira altamente
recompensadora.
A luta pela transcendência no eixo inconsciência-consciência é
um objetivo comum e deve ser observado com relevância e foco
prioritário entre as ações de evolução humana pretendidas. Dentre as
contribuições oferecidas por Jung, é possível destacar a sua
afirmação: Quanto mais conscientes nos tornamos de nós mesmos
através do autoconhecimento, atuando, consequentemente, tanto
mais se reduzirá a camada do inconsciente pessoal que recobre o
inconsciente coletivo. Desta forma, vai emergindo uma consciência
livre do mundo mesquinho, suscetível e pessoal do eu... .É sobre tal possibilidade que repousa a chance de o ser humano
melhorar e avançar na sua jornada pessoal e comunitária. Crer que
há domínio em terrenos desconhecidos é ilusão vaidosa que dificulta
o acesso ao desenvolvimento e maior propriedade sobre a vida. Em
determinado momento das experiências cotidianas, ao levantar o véu
da inconsciência através da vontade, reflexão e autoconhecimento
decorrente, é possível tomar as rédeas do destino com maior controle
e consciência.
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