A compreensão sobre o necessário convívio ético existe há
muito tempo, haja vista o número de registros a respeito, sobretudo
aqueles que serviram de guia para o comportamento de diferentes
fieis religiosos, tanto no oriente quanto no ocidente. Ressaltem-se
ainda os pensadores que propuseram conceitos e orientações sobre
ética, moral e justiça: Hesíodo (há 2.700 anos), Sócrates, Platão,
Aristóteles, Confúcio, Cícero, Tomás de Aquino, Kant, dentre outros.
Vale lembrar também das leis reguladoras estabelecidas nas
sociedades. Assim, através da religião, da filosofia ou da aplicação
prática jurídica, o homem teve à sua disposição o amparo do saber
ético ou a submissão moral como bússolas para a sua caminhada
social e, notadamente, evolucional.
Logo, do ponto de vista do saber e da experiência, há conteúdo
de sobra na escola histórica que tenta formar pessoas de caráter com
o propósito de balancear interesse pessoal e coletivo, ainda que se
considere o baixo nível de consciência presente na escala de
desenvolvimento do ser humano, sem, contudo, ignorar o
autoengano, elemento primitivo do processo psíquico cujo objetivo é
transformar fatos reais dolorosos em tranquilizadoras, porém
distorcidas percepções, a fim de entorpecer o mal-estar decorrente
do conflito interior estabelecido entre saber o que é certo e o agir no
sentido contrário. Em outras palavras, aquele que comete uma
injustiça, pode, autoiludidamente, ajustar a sua compreensão a
respeito, dando-lhe um revestimento fictício mais aceitável
psicologicamente. O pesado chumbo ganha leveza e nova coloração
rósea através da artimanha inconsciente. O erro passa a ser
considerado acerto. É o autoengano sobre a ética.Entretanto, o que deveria ser breve, enraíza-se. O sistema
psíquico defensivo considera a realidade um inimigo perigoso e
mantém seu escudo erguido por tempo indefinido ao invés de apenas
agir temporariamente. A ignorância supera o fato e impede o
desenvolvimento. A escuridão serve como esconderijo, mas dificulta o
acesso à luz. A cegueira reina achando-se o clarão do reinado.
O autoengano se processa por via inconsciente, levando o seu
autor a crer na mentira maquiada de realismo construída no subsolo
do seu psiquismo, aliviando-lhe o pesar e a dor causados pelos erros
cometidos, os quais podem atormentar-lhe brutalmente se
enxergados em níveis de maior consciência. É doloroso crescer, e
assim torna-se tentador manter-se na infância, ou explicando melhor,
no primitivismo da curva de crescimento da espécie. Mas o que
também não se enxerga é o que está mais além: o ganho que se
obtém. Pudera antever o benefício a que tem direito, o homem
mudaria radicalmente a sua postura ante o progresso que tanto evita.
Tal como o cientista que crê nas suas hipóteses e trabalha
arduamente, torna-se recompensador o êxito alcançado, mesmo que
se tenha pisado em terreno desconhecido durante longo período da
penosa jornada. Mas é somente pela reflexão que se pode ampliar a
consciência sobre a ética.
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