A partir do conhecimento ou do bom senso pode-se
compreender como as pessoas arquitetam os valores pelos quais
serão cobrados os seus serviços. A vida profissional requer que os
valores estejam bem definidos e que sejam condizentes com o que se
propõem.
Conforme o dicionário, valor quer dizer: valentia, qualidade que
faz estimável alguém ou algo; valia, importância de determinada
coisa; preço, legitimidade, validade. E ainda, valorizar, significa: dar
valor a, ou aumentar o valor de, reconhecer as qualidades, os
méritos de (pessoa, ação, coisa, etc), agir em respeito, e exigir
respeito, ao seu valor como pessoa; dar-se valor. Valia, importância,
reconhecer as qualidades e os méritos etc, são o suficiente para se
formar um valor que deverá ser cobrado em troca de um trabalho
que se oferece em troca?
Na maior parte das vezes não. O que ocorre é uma prática de
equiparação mercadológica. Procura-se conhecer o valor mais baixo,
o mais alto e a média, para que sirva de referência, e então, assim se
procede: copiando. Para muitas pessoas estes valores já definidos
não alcançam o que elas entendem sobre o valor do que é oferecido.
Por esta razão, algumas buscam mais, crescendo dentro das
organizações a qual pertencem e obtêm maiores compensações
financeiras, ou se projetam no mercado por conta, abrindo as suas
próprias empresas. E há, ainda, os profissionais liberais (médicos,
advogados, psicólogos etc), que seguem alguns valores estipulados
pelas suas entidades de classe (conselhos, sindicatos etc) e outros
que adquirem um status de fama e reconhecimento (credibilidade) e,
portanto, determinam os aumentos de valor a ser cobrado de seus
pacientes ou clientes. Assim funciona a formação de valor, via de regra. Tais fatores são compatíveis com o que realmente vale um
profissional? Levando-se em conta a sua formação, dedicação,
aperfeiçoamento constante, grau de conhecimento e inteligência
desenvolvidos.
Também não, na maioria dos casos. Sabe-se que há uma
autorregulação de mercado quanto aos preços que são cobrados, e a
política de formação de preços pode variar conforme descrito
anteriormente. Não obstante, existe outro fator presente neste
cenário acerca dos valores: a percepção interna humana sobre o
próprio valor, e que apesar de compreender a autorregulação
mercadológica dos preços, é capaz de cobrar mais ou menos.
René Descartes (1596-1650) descreve sobre estimar ou
desprezar a nós mesmos em seus artigos 151 e 152 de As paixões da
alma: “De uma maneira geral, a estima e o desprezo podem dizer
respeito a todas as espécies de objetos; mas são dignas de nota
quando a aplicamos em nós mesmos, ou seja, quando é nosso
próprio mérito que estimamos ou desprezamos”. “Percebo em nós
somente uma coisa que possa nos fornecer a justa razão de nos
estimarmos, que é a utilização de nosso livre-arbítrio e o domínio que
possuímos sobre as nossas vontades; pois é apenas pelas ações que
dependem desse livre-arbítrio que podemos com razão ser elogiados
ou reprovados”.
Faz-se necessário levar em conta o psiquismo humano. O fato
de que os modelos internos ou as idéias que temos sobre si mesmos,
desde a infância não são imutáveis. Todavia, eles tendem a ser
levados adiante, modelando e definindo as nossas experiências
enquanto adultos. Destes valores, pode-se obter a autoestima, que é
o sentimento de importância, valor e apreço sobre si mesmo. Vários
itens podem colaborar na formação do autoconceito que é construído
com o passar dos anos, desde a infância, tal como a discrepância entre o que a criança gostaria de ser (ou que crê que deveria ser) e
aquilo que ela pensa ser. Por exemplo, se a discrepância é alta e a
criança se vê como um fracasso, a autoestima será baixa. Outra
questão e a sensação geral de apoio que a criança percebe das
pessoas que são importantes para ela, como os pais. Se gostam dela
como ela é de fato, a tendência é a de apresentar resultados mais
elevados de autoestima.
Então, relaciona-se valores a autoestima e ao domínio sobre
nós mesmos. Um bom autoconceito acerca de si próprio é capaz de
propiciar um bom valor a ser cobrado mediante algum serviço
oferecido. Contudo, deve ser bem administrado, através do bom
senso, em face de necessidade de controle sobre os exageros a que
se está sujeito. Ou seja, somos livres para cobrar qualquer valor,
porém, a autovalorização e a autorregulação de mercado merecem
ser tratadas com equilíbrio. Do contrário, corre-se o risco de os
méritos serem interpretados de forma negativa pelo demérito ou
abuso, e, conseqüentemente, dificultar os negócios em virtude da
redução de pacientes ou clientes.
O nosso valor, portanto, diz respeito a aceitação de si mesmo,
o autoconceito mais real possível, capacidades disponíveis e em
desenvolvimento a serem empregadas na solução de problemas ao
qual nos prontificamos a resolver, avaliação sobre os valores que o
mercado paga, com foco na própria área de atuação, liberdade e
controle sobre as ações que temos (formação de preço equilibrada).
Estes fatores devem estar presentes quando formamos os valores
sobre o que cobraremos por algum trabalho que se ofereça para
outra pessoa. O nosso valor está relacionado às questões externas
(mercado) e internas, principalmente (autoconhecimento e
autoestima). As pessoas compreendem e pagam por um serviço bem
realizado, cujo preço demonstra ser justo. O nosso valor é resultado da dedicação, avaliação e ação do quanto cobramos e ficamos
satisfeitos com isso. Valorize-se!
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