Somos adultos?

Por adulto, compreende-se: “relativo ao período da vida após a adolescência”. Mais: aquele que é capaz de tomar decisões e responder por seus atos, e, ainda, que possui independência, permitindo-lhe a mínima sustentabilidade material para a própria sobrevivência e a de terceiros sob a sua responsabilidade, temporária ou não. Então, pode-se discorrer amplamente acerca dos aspectos que caracterizam o perfil do indivíduo adulto. Não se considera, contudo, uma questão essencial que pode fazer desabar a estrutura aparentemente madura quando se sofre certa pressão em um ponto vulnerável: a infantilidade do ego que não aceita se frustrar, e que se oculta sob o disfarce de vítima da agressão alheia, nunca da própria imaturidade. Portanto, tornam-se cruciais a adequada percepção, a análise crítica e o bom senso quanto ao autoengano de se julgar ser aquilo que não é. A dinâmica inconsciente da autoilusão entorpece a mente e contraria as evidências, pois, do contrário, poder-se-ia tomar consciência a seu respeito e, por opção consciente, modificar a situação. Não se trata de uma mentira que se aplica às claras, com o consentimento do seu autor. Não. É um jogo subterrâneo do psiquismo que tenta se defender da dolorosa condição de desenvolvimento em que se encontra. Alguém que trabalhe e sustente financeiramente a si próprio (e a próximos do seu interesse) é visto como gente grande. Mas se não consegue lidar com uma discussão de convívio pessoal ou profissional e aponta o dedo da culpa para os outros e não à sua deficiente visão dos fatos, poderia ser percebido como uma criança que não tolera sentir-se magoada. A força descontrolada das emoções que emergem e a falta de maturidade cedem lugar à birra que faz obscurecer a avaliação racional de tal fraqueza. Quando nos encontramos tristes por algo dito por outrem, por exemplo, rapidamente disparamos em troca a crítica, posicionando-se como vítima. Se há testemunha, então, reforça-se o fato com maior vigor. O anjo desfalece diante do seu demoníaco algoz. Todavia, se há luz suficiente para clarear a escuridão do desconhecido equívoco, é possível julgar o caso com maior propriedade e chegar à reveladora elucidação. Observe-se que o que se atribui ao outro como culpa, é, basicamente, a ausência de consciência sobre si mesmo. Somente a própria pessoa pode autorizar, ainda que sem perceber, a quantidade e a qualidade do impacto sofrido pelos estímulos que lhe chegam. Tanto que, em determinado momento, pode-se receber um desagrado e causar revolta de toda ordem, e em outra ocasião, o mesmo tipo de desprazer ser superado com imensa facilidade. É o ponto de vista, num dado momento da vida, que dá o tom particular ao evento experimentado. Daí decorre a incompreensão que distorce a realidade, trazendo à tona a insegurança, a raiva e a cegueira daquele que passa a se comportar como uma criança. A dificuldade de se empreender a evolução adulta mais plena reside na crença (e na teimosia) de que se está certo de maneira absoluta naquilo que, pela lógica, se mostra infundado. De não se perceber limitado e imperfeito, tendo à frente considerável caminho de aprendizagem. Da acomodação que se opõe ao enorme esforço exigido pelo amadurecimento. E, notadamente, da inconsciência a respeito da própria inconsciência. A reflexão e o autoconhecimento, pois, podem elevar o homem à vida adulta, proporcionando-lhe mais consciência e maturidade, tão fundamentais para o domínio de si mesmo e das escolhas que são feitas constantemente.

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