A porta de entrada da prisão pode ser também o acesso à
saída. Quem por ela entra um dia, noutro pode sair. Ou não. Na
maioria das vezes, permanecer preso é uma circunstância pesarosa e
desanimadora. Desde há muito tempo, o ser humano se depara com
a detenção, maneira encontrada para conter as ideias e os
comportamentos indesejáveis socialmente num dado período da
história. Para que a convivência prosseguisse nas diferentes
sociedades, foi preciso estabelecer o controle para a contenção
daquele que se opõe às regras do jogo cujas cartas são dadas por
uns poucos que pretendem conduzir muitos outros. Revela-se, pois, o
primitivismo no qual o homem ainda se encontra no gráfico da
evolução.
Não obstante, é possível analisar a prisão de outro modo,
considerando-se não apenas a dimensão física, mas a psicológica
também. Somos prisioneiros das nossas crenças que se formam
desde a infância. As experiências são rica fonte de informação que
culminam nas convicções pessoais, que podem, por conseguinte,
permanecer conosco por tempo indeterminado, ou mudarem,
cedendo espaço a outras mais convenientes. Até um período da vida,
podemos crer numa dada ideia, a partir dali, por razões variadas, ela
pode enfraquecer e perder o seu sentido original. As novidades
ganham terreno em razão de recentes e íntimas conclusões. O que
era verdade absoluta numa época deixa de sê-lo noutra.
Para exemplificar o aprisionamento psíquico a que nos
submetemos (sem a devida percepção), vale a pena destacar, dentre
incontáveis outros aspectos, a submissão e passividade ante os
indecentes acontecimentos políticos, cuja empobrecida justificativa
tenta alegar falta de poder sobre a questão: “O que é que se pode fazer sem força?” Por acaso a população se esquece de que foi
justamente a sua força e poder que elegeram cada político como seu
representante? Afinal, que paredes aprisionam o cidadão, impedindoo
de organizar movimentos moralizadores de cobrança ou análises
criteriosas que impeçam o acesso de velhas raposas aos locais onde
somente o bem-comum deve prevalecer? Autoengano e acomodação?
Logo, se nos trancafiamos numa espécie de prisão da qual nos
parece impossível sair, é preciso rever a situação através da
autoavaliação séria, profunda e frequente. A mesma porta que deu
acesso a tal infortúnio encarcerador deverá servir como passagem à
necessária libertação. Toda prisão tem uma porta. Eis o ponto de
partida da reflexão libertadora que pode colaborar com as essenciais
transformações de caráter pessoal e social. Manter-se alheio a si
mesmo é ignorar que se pode ir além com maior autonomia e poder
advindos da consciência sobre a intervenção que molda cada passo
no avanço das relações sociais. Assim, pergunta-se: se lhe é possível
forjar a chave da prisão psicológica que o prende ao desconhecimento
e atraso, que razões o impedem de conquistar conhecimento,
maturidade e liberdade?
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