Você é submisso?

O ser humano sempre ofereceu incontáveis amostras de que é capaz de qualquer coisa para sobreviver – sob pressão, inclui-se tanto ser injusto quanto estar autoenganado. A sua empobrecida posição na escala evolutiva do convívio assim pode atestar com insignificante margem de erro. O baixo nível de consciência garante, por enquanto, a autolimitação mental através de algumas crenças que normalmente se formam a respeito da exagerada dependência financeira e emocional entre as pessoas nos variados campos em que a experiência coletiva se faz oportuna. Porquanto é possível perceber muitos comportamentos desatinados nas relações conjugais, por exemplo, cujo extremo revela, por vezes, a submissão bilateral. Mesmo sob a dilacerante penúria existente entre o casal no trato diário, nada é capaz de dar cabo ao disparate. É a necessidade pessoal, pois, que se impõe de forma autoritária e permanente, caso não se reveja a situação através da autoavaliação e da ajuda especializada. O brutal incêndio do desentendimento avança lentamente, queimando, pouco a pouco, as esperanças de se ter uma vida mais equilibrada e prazerosa. Pior: não há rota de escape aparente. Porém, quase nada é feito para reduzir o fogo, haja vista a fuga de tal aflição significar desgraça ainda maior, pois convém levar em conta o pavor dominante nas muitas cabeças que pesam o custo da sua situação dependente na balança da conveniência. Frustração e medo, de mãos dadas, jogam combustível às chamas do autoaprisionamento. Autoengano? Mas é também em outro tipo de convivência que se pode destacar a autoiludida e doentia relação na qual se processa a submissão, notadamente, unilateral: na esfera política, através das suas ações controladoras, capazes de tecer considerável rede de contenção popular, mesmo diante da miséria e da minguada perspectiva, manipulando, assim, de forma silenciosa, a intenção do voto eleitoral, que se une, influente e decisivamente, à continuidade do status quo terrivelmente conveniente por hora. O fato, deveras pesaroso, é um só: o atraso prevalece! Logo, fazer oposição a tamanha submissão, equivale a lutar com um pedaço de pau contra alguém que responde à bala. É claro, contudo, que não se pode fugir ao combate, ainda mais se ele diz respeito à própria liberdade, obtida por meio da consciência e da evolução decorrente. Todavia, tal confronto requer inteligência, além de força e persistência. Mais: vale a pena lembrar que as muralhas históricas “intransponíveis”, foram ultrapassadas ou derrubadas por famosos personagens e, destaque-se devidamente, por quem menos se esperava: o povo (a pessoa comum), reunido sob um único sentimento de liberdade frente ao excessivo controle existente. Você é submisso? Quer se libertar? Porém, os tempos são outros e a luta está muito mais dentro do que fora de você.

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