Uma via filosófica de pensar sobre o tempo diz que o presente
sequer existe, pois o passado sempre acaba de ficar para trás, nem
que seja por ínfimos instantes; o que se leu deste texto até aqui já é
passado, por exemplo. E, por outro lado, numa espécie de divisa
claramente demarcada, trilhamos a estrada do futuro com os
momentos que nos chegam, tornando-se, num constante movimento,
passado novamente. Não há espaço, portanto, para o presente que,
por sua vez, é uma ilusão que se estabelece em nossas cabeças.
De outra perspectiva, é possível tratar a questão de modo
oposto, pois, alega-se, só pode existir o presente, haja vista o
passado já ter-se ido e, assim, o mesmo ser apenas uma lembrança
que não pode ser experimentada concretamente. E o futuro, que
ainda não se pode viver por sua natureza impalpável (ao menos até
que chegue ao presente das realizações), fica no campo das
possibilidades, ainda que estas tendam a se concretizar
oportunamente.
E o que dizer acerca da velocidade do tempo, cuja relatividade
se impõe conforme a percepção momentânea de cada um? Se nos
sentimos bem, passa depressa, se há desprazer, a morosidade corrói
o otimismo e a esperança; o relógio parece não andar. Ainda, e o que
dizer sobre os “saltos” temporais tão comentados no cotidiano, cujo
calendário, semanal, mensal ou anual tem causado surpresa, ainda
que se acompanhem de perto as horas e os dias por força dos
compromissos constantes de uma agenda que não cessa, só
aumenta?
Corremos atrás dos compromissos, e mal terminamos o
primeiro (passado), já estamos de olho no próximo (futuro),
praticamente sem saborear enquanto eles são realizados (presente),
qual fazer uma refeição discutindo assuntos que requerem boa dose de concentração a maior parte do tempo. Somos capazes de não
lembrar daquilo que comemos há poucas horas! Acaso tal velocidade
de afazeres constantes e atenções voltadas para o porvir não
atropelam algo fundamental como a consciência que se dá ao que se
faz no momento imediato, no aqui e agora? O que resulta de tal
hábito, considerando que não se trata de uma única vez? Por
ventura, com o passar dos anos, não nos sentimos com certo vazio a
preencher o lugar que deveria pertencer aos sabores naturalmente
sentidos durante a ingestão de atividades diárias? Não advém dai
certa porção de tristeza também?
Mas é devido lembrar que, se de um lado a impiedosa máquina
social dos compromissos nos devora em seus acelerados avanços, por
outro, nós, ainda que despercebidamente, alimentamos tal criação. E,
naturalmente, somente nós podemos ultrapassar tamanho obstáculo,
modificando-nos ao tomar consciência do sistema no qual nos
encontramos (e dando mais atenção ao presente), ajustando, o
quanto for possível, os ponteiros do relógio da qualidade de vida (não
nos esqueçamos igualmente que perspectivas e fantasias insaciáveis
futuras geram frustrações a seu devido tempo), pois, apesar de
construirmos a pressa e suas consequências, é possível desejar coisa
diferente, e então transformar evolutivamente o amanhã. Você tem
tempo pra isso?
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